A
A
Sair modo imersivo
Rendimentos e Desigualdade
A evolução recente dos rendimentos familiares e dos principais indicadores de desigualdade
4 min
Distribuição do Rendimento Disponível

Evolução Real do Rendimento Médio Disponível por Adulto Equivalente (Euros/Mês) 2010-2024

Em 2024, o rendimento médio mensal por adulto equivalente registou um crescimento de 13,8%, passando de 1 246 euros para 1 418 euros. Tendo em conta a taxa de inflação verificada nesse ano (2,4%), o rendimento médio das famílias aumentou 11,1%, em termos reais. O rendimento mediano teve um crescimento real ligeiramente superior, atingindo os em 11,7%.

A evolução do rendimento equivalente das famílias não foi, contudo, homogénea ao longo da distribuição. De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o valor do percentil 20 — que delimita os rendimentos dos 20% mais pobres da população — subiu, em termos reais, cerca de 14,5%. Este crescimento mais expressivo contribuiu para uma melhoria relativa da situação económica das famílias mais vulneráveis.

Esta correção das assimetrias na distribuição dos rendimentos, assente num aumento proporcionalmente mais elevado dos recursos das famílias de menores rendimentos face ao conjunto da população, permitiu a redução dos principais indicadores de pobreza e de desigualdade.

 

Rendimento Mensal Equivalente na União Europeia 2023 (valores em euros)

Em 2023, último ano para o qual o Eurostat disponibiliza informação comparável para todos os estados-membros, o rendimento médio mensal por adulto equivalente das famílias portuguesas era de 1 246 euros. Nesse ano, Portugal era o 9.º país com rendimentos mais baixos entre os 27 países da UE.

O rendimento médio por adulto equivalente correspondia a 61,0% da média da União Europeia. Quando expresso em paridades de poder de compra, esse valor ascendia a cerca de 71% da média do conjunto dos países da UE, evidenciando o impacto das diferenças no custo de vida entre países.

 

Evolução da Desigualdade: Coeficiente de Gini* (2010-2024)

Em 2024, o coeficiente de Gini fixou-se em 30,9%, menos um ponto percentual face ao ano anterior. Este resultado traduz o nível de desigualdade mais baixo registado em Portugal desde o início da década de 1990.

 

* Coeficiente de Gini: indicador de desigualdade na distribuição do rendimento que visa sintetizar num único valor a assimetria dessa distribuição, assumindo valores entre 0 (quando todos os indivíduos têm igual rendimento) e 100 (quando todo o rendimento se concentra num único indivíduo). 

Evolução da Desigualdade: Rácio S90-S10 e S80-S20

Outra forma de olhar a evolução da desigualdade consiste em analisar a distância entre os rendimentos médios situados na base e no topo da distribuição. Os rácios S90/S10 e S80/S20 permitem medir a desigualdade entre os extremos da distribuição do rendimento por adulto equivalente.

A evolução destes indicadores é consistente com a observada para o coeficiente de Gini. Em 2024, o rendimento médio por adulto equivalente dos 10% mais ricos era cerca de 7,9 vezes superior ao dos 10% com menores rendimentos, quando no período anterior essa relação ascendia a 8,9. 

O rácio S80/S20 registou igualmente uma redução, ainda que menos acentuada, passando de 5,2 para 4,9.

 

Desigualdade por Regiões: Coeficiente de Gini * (2024)

A redução da desigualdade a nível nacional refletiu-se na maioria das regiões do país, com exceção do Alentejo e da região do Oeste e Vale do Tejo. Os dados apontam, assim, para uma maior convergência territorial.

A região da Grande Lisboa registava, em 2023, o valor mais elevado do coeficiente de Gini (32,9%): cerca de dois pontos percentuais acima da média nacional. É assim a região onde é maior assimetria na distribuição dos rendimentos.

 

* Coeficiente de Gini: indicador de desigualdade na distribuição do rendimento que visa sintetizar num único valor a assimetria dessa distribuição, assumindo valores entre 0 (quando todos os indivíduos têm igual rendimento) e 100 (quando todo o rendimento se concentra num único indivíduo). 

Desigualdade na União Europeia: Coeficiente de Gini * (2024)

Em 2023, Portugal era o quinto país mais desigual da União Europeia, com um coeficiente de Gini de 31,9%, valor que excedia a média comunitária em 2,5 pontos percentuais.

Apesar da redução da desigualdade registada em 2023 e 2024, importa salientar que, os efeitos económicos associados à pandemia e ao aumento generalizado dos preços em 2022, contribuíram para uma deterioração da posição relativa de Portugal no contexto europeu. 

Em 2019, ano anterior aos principais impactos da pandemia, o coeficiente de Gini situava-se em 31,2%, apenas 1,2 pontos percentuais acima da média da UE, colocando o país na oitava posição entre os Estados-Membros com maior desigualdade.

 

 

* Coeficiente de Gini: indicador de desigualdade na distribuição do rendimento que visa sintetizar num único valor a assimetria dessa distribuição, assumindo valores entre 0 (quando todos os indivíduos têm igual rendimento) e 100 (quando todo o rendimento se concentra num único indivíduo).

Portuguese, Portugal