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Em 2024, cerca de 1,7 milhões de pessoas em Portugal viviam em situação de pobreza monetária, isto é, dispunham de um rendimento mensal equivalente inferior a 723 euros.
A taxa de risco de pobreza situou-se em 15,4%, menos 1,2 pontos percentuais (p.p.) do que em 2023 (16,6%). É a taxa de pobreza mais baixa registada desde o início da publicação anual deste indicador, no início da década de 1990.
A intensidade da pobreza (que avalia quão pobres são os pobres) registou igualmente uma redução expressiva: passou de 25,7% em 2023 para 22,6% 2024, uma quebra de 3,1 p.p.
Incidência da Pobreza Monetária por regiões (2024)
Os novos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) evidenciam também uma redução significativa das assimetrias regionais na incidência da pobreza. Em 2024, a diferença entre a região com a taxa de pobreza mais elevada e a região com a taxa mais baixa foi de 5,7 pp. Uma evolução positiva já que no ano anterior esse valor atingia os 11,3 pp.
Em destaque está também uma descida muito significativa da taxa de pobreza na Região Autónoma dos Açores, que passou de 24,2%, em 2023, para 17,3%, em 2024.
Em sentido inverso, foi no Alentejo que a pobreza mais cresceu, passando a ser a região com maior incidência de pobreza (17,9%) do país. A área da Grande Lisboa mantém-se como a região com a taxa de pobreza mais baixa (12,2%).
Taxa de Pobreza na União Europeia (2023)
Em 2023, Portugal era o décimo segundo país da União Europeia com maior taxa de pobreza (16,6%), situando-se ligeiramente acima da média da UE (16,2%). A redução da pobreza observada em Portugal em 2024 permite antecipar alguma melhoria da posição relativa do país no contexto europeu, embora ainda distante dos Estados-membros com níveis mais reduzidos de pobreza.
Taxa de Pobreza por grupo etário (2024)
A diminuição da pobreza em 2024 teve um impacto diferenciado nos vários grupos etários.
Entre a população idosa — que em 2023 sofreu um aumento significativo da taxa de pobreza — deu-se uma redução acentuada de 3,3 p.p.. Esta quebra contribuiu de forma decisiva para a descida da taxa global.
Também na população em idade ativa a taxa de pobreza diminui para 13,9%, face aos 14,4% registados em 2023.
Já no caso das crianças e jovens, a redução foi muito mais limitada: apenas 0,2 p.p., passando de 17,8% para 17,6%. Esta evolução confirma a persistência de níveis elevados de pobreza infantil, apesar do progresso observado noutras faixas etárias.
Taxa de Pobreza por composição do agregado familiar (2024)
A análise da pobreza por tipo de agregado familiar permite identificar os grupos com maior vulnerabilidade económica.
Num contexto de desagravamento do nível de pobreza global não pode deixar de ser paradoxal o acréscimo de pobreza verificado num dos grupos mais vulneráveis da população: as famílias monoparentais. Este grupo registou um aumento da taxa de pobreza de 4,1 p.p., passando de 31,0% em 2023 para 35,1% em 2024.
O aumento da pobreza nas famílias monoparentais — onde se concentra uma proporção significativa das crianças em situação de pobreza — contribui para explicar o ligeiro acréscimo da taxa de pobreza nas famílias com crianças dependentes (+0,2 p.p.). A fraca redução da pobreza entre crianças e jovens torna-se, assim, mais compreensível à luz da persistente vulnerabilidade destes agregados.
Os grupos socioeconómicos mais expostos à pobreza continuam a ser as famílias monoparentais e as famílias alargadas com três ou mais crianças dependentes, cujas taxas de pobreza se situam em 35,1% e 26,7%, respetivamente.
Em sentido inverso, destaca-se a redução expressiva da pobreza nas famílias unipessoais constituídas por um idoso, cuja taxa diminuiu de 33,7% para 27,0%. Apesar desta melhoria, este grupo mantém-se como um dos mais vulneráveis da sociedade portuguesa.
Taxa de Pobreza segundo a condição perante o trabalho (2024)
A população desempregada está entre as mais vulneráveis à pobreza monetária. Embora a taxa de pobreza neste grupo tenha diminuído 1,7 p.p. em 2024, manteve-se extremamente elevada: 42,6%. O desemprego mantém-se, assim, como um dos principais fatores de risco de pobreza.
Entre a população empregada, a taxa de pobreza diminuiu de 9,2% para 8,6%. Ainda assim, a existência de uma proporção tão significativa de trabalhadores pobres é um dos aspetos mais preocupantes da situação social do país.
Foi entre a população reformada que se registou a maior queda da incidência da pobreza: passou de 19,6%, em 2023, para 16,4%, em 2024. Esta descida permitiu reverter parcialmente o forte aumento observado em 2023, embora sem alcançar os níveis registados em 2022 (15,4%).
Taxa de Pobreza segundo o nível de escolaridade completado (2024)
O papel determinante da educação na redução da pobreza, torna-se evidente na análise da pobreza por nível de escolaridade. Quanto mais elevado é o nível de escolaridade, menor é a taxa de pobreza observada.
Em 2024, a taxa de pobreza entre indivíduos com ensino superior era de 5,4%, valor 3,6 vezes inferior ao registado entre aqueles que tinham apenas o ensino básico (21,3%). Estes dados confirmam o papel central das qualificações como principal mecanismo de mobilidade social e como instrumento fundamental para a prevenção e redução sustentada da pobreza.