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Os indicadores de privação material e social permitem identificar, ainda que de forma parcial, as situações em que as dificuldades são mais intensamente sentidas pelas famílias. Constituem, por isso, uma informação complementar aos indicadores de pobreza monetária, oferecendo uma perspetiva mais ampla sobre as condições de vida da população. Estes indicadores integram o sistema de monitorização social da Estratégia Europa 2030.
Em 2025, a taxa de privação material e social registou uma ligeira diminuição, fixando-se em 10,2%. A taxa de privação material e social severa manteve-se inalterada, situando-se em 4,3%.
Itens de Privação Material e Social em Portugal (2024-2025)
A análise comparativa dos 13 indicadores de privação material e social permite identificar as dimensões em que a privação das famílias é mais intensamente percecionada.
Em 2025, foram estas as situações de maior vulnerabilidade material e social:
29,2% dos inquiridos dizem que não têm capacidade para assegurar o pagamento imediato de uma despesa inesperada próxima do valor da linha de pobreza do inquérito anterior (632 euros por mês).
15,6% afirmaram não terem capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida;
33,1% referiram não ter meios para suportar uma semana de férias fora de casa por ano;
e 33,0% indicaram não ter capacidade para substituir mobiliário usado.
Indicadores do agregado familiar
Indicadores individuais
Taxa de Privação Material e Social Severa na União Europeia (2024)
Com base no novo indicador de privação material e social severa do Eurostat, Portugal apresentava uma taxa de 4,3%, um valor substancialmente inferior à média da União Europeia, que foi de 6,4%.
População em situação de pobreza e exclusão social (2016-2025)
A taxa de pobreza ou exclusão social constitui um indicador sintético utilizado pelo sistema estatístico europeu no âmbito da Estratégia Europa 2030.
Este indicador identifica as pessoas que se encontram em pelo menos uma das seguintes situações: pobreza monetária; privação material e social severa; ou afastamento significativo do mercado de trabalho, traduzido por uma baixa intensidade laboral do agregado (quando os adultos entre os 18 e os 59 anos trabalham, em média, menos de 20% do tempo potencial de trabalho).
Em 2025, cerca de 2 milhões de pessoas em Portugal — correspondendo a 18,6% da população — encontravam-se em situação de pobreza ou exclusão social. Portugal atingiu, assim, o valor mais baixo da série iniciada em 2016, uma redução fortemente influenciada pela descida do valor da pobreza monetária.
Exclusão Social por regiões (2025)
Apesar da melhoria global do indicador, em 2025 as assimetrias regionais no país, continuam a ser significativas. A taxa mais baixa de pobreza ou exclusão social foi registada na região da Grande Lisboa (16,0%). Em contraste, a região do Oeste e Vale do Tejo passou a apresentar, no continente, o valor mais elevado, com uma taxa de 20,4%.
As Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, apesar das descidas observadas em 2025 — particularmente expressivas nos Açores, com uma redução de 6,8 pontos percentuais — continuam a registar os valores mais elevados neste indicador.
Portugal: Interseção das Várias Dimensões da Pobreza e exclusão social (2024)
A inter-relação entre as três dimensões da exclusão social — pobreza monetária, privação material e social severa e baixa intensidade laboral — pode ser analisada através da sua interseção.
Em 2024, cerca de 2,1 milhões de pessoas encontravam-se em situação de pobreza ou exclusão social. Desse total, 1,8 milhões viviam em pobreza monetária e 452 mil em situação de privação material e social severa. Aproximadamente 1,7 milhões de pessoas eram afetadas por apenas uma das dimensões da exclusão social, 325 mil por duas dimensões e 82 mil acumulavam simultaneamente as três.
Embora ainda não estejam disponíveis os valores detalhados das várias dimensões para 2025, é razoável admitir que a redução observada no indicador agregado não altere de forma significativa o padrão de interseção entre as dimensões da pobreza e exclusão social, onde a taxa de pobreza monetária assume um peso determinante.
Taxa de Pobreza e Exclusão Social na União Europeia (2024)
Com base no novo indicador de pobreza ou exclusão social associado à Estratégia Europa 2030, é possível situar Portugal no contexto europeu. Em 2024, a taxa portuguesa (19,7%) era ligeiramente inferior à média da União Europeia, que se situava em 21,0%.