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Barómetro da Corrupção
O que pensamos
sobre a corrupção
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A corrupção é um polvo com muitos tentáculos. Mas a sociedade não a vê de uma forma consensual - a começar pela definição do que é ou não corrupção.
O Barómetro da Corrupção ouviu a opinião de 1101 pessoas – uma amostra representativa da população residente em Portugal Continental.
Queremos também saber o que pensa.
A política só atrai pessoas que procuram obter benefícios particulares às custas do bem comum.
Discordo
totalmente
Concordo
totalmente
Até as pessoas honestas se deixam corromper quando ocupam um cargo de poder.
É ou não é corrupção?
Responda se cada uma das situações é ou não uma forma de corrupção e compare a sua opinião com os resultados do Barómetro.
1 de 5
Um presidente de câmara aprova um loteamento irregular de um empresário com o compromisso de este construir um parque infantil num bairro desfavorecido.
Este caso constitui uma situação de abuso de poder.
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2 de 5
Um indivíduo pede a um amigo para usar a sua morada para inscrever o filho numa escola de melhor qualidade.
Um procedimento para contornar as regras.
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3 de 5
Um secretário de Estado atribui benefícios a uma fundação. Três anos após ter cessado funções, é convidado para presidente da mesma fundação.
Uma situação de portas giratórias.
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4 de 5
Um indivíduo escreve a um colega de faculdade, sócio de um escritório de advogados, para receber a sua filha como estagiária.
Trata-se de uma cunha.
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5 de 5
O filho do vereador do Urbanismo dá a entender a um cliente que consegue que a câmara autorize a construção de um hospital privado numa reserva agrícola.
Exemplo de tráfico de influências.
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Os resultados do Barómetro mostram como a perceção do que é ou não é corrupção varia conforme a situação – ainda que, em média, todos os casos abordados nas perguntas anteriores tendam a ser considerados corrupção.
O Barómetro cruzou mais duas perguntas específicas para avaliar melhor o entendimento dos inquiridos sobre a corrupção.
O comportamento tem de ser ilegal para ser denominado de corrupto?
Se o resultado for benéfico para a população, então não é corrupção - ou seja, é um ato justificável?
Com base nas respostas, foram criados quatro perfis de perceção da corrupção.
VIRTUOSOS
Acham que a corrupção pode existir mesmo dentro da legalidade e que os fins não justificam os meios.
INTRANSIGENTES
Para haver corrupção tem de existir um ato ilegal e os fins, mesmo que benéficos para a sociedade, não justificam os meios.
PRAGMÁTICOS
Acham que a corrupção não precisa de estar associada a um ato ilegal, mas pode ser justificável, se benéfica para a sociedade.
FALSOS MORALISTAS
A corrupção surge sempre de um ato ilegal, mas pode ser justificável, se benéfica para a sociedade.
Dois terços dos inquiridos encaixam-se nos perfis intransigente e falso moralista. Ou seja, a maioria tem uma visão legalista, na qual a corrupção advém sempre de um comportamento ilegal.
Um quarto são virtuosos e muito poucos são pragmáticos.
Entre pragmáticos e falsos moralistas, quase 40% dos inquiridos acham que, se o resultado for benéfico para a sociedade, então não é corrupção.
ONDE HÁ MAIS CORRUPÇÃO?
Qual é a sua opinião?
Os partidos políticos estão em segundo lugar entre 12 esferas da vida social quanto à incidência da corrupção, dizem os inquiridos. Os clubes de futebol estão em primeiro.
As sociedades de advogados estão em sexto lugar entre 12 esferas da vida social, na opinião dos inquiridos, quanto à incidência da corrupção. Os clubes de futebol e os partidos políticos lideram o ranking.
Os bancos estão em oitavo lugar entre 12 esferas da vida social, na opinião dos inquiridos, quanto à incidência da corrupção. Os clubes de futebol e os partidos políticos lideram o ranking.
Os clubes de futebol estão em primeiro lugar entre 12 esferas da vida social, na opinião dos inquiridos, quanto à incidência da corrupção. Os partidos políticos vêm a seguir.
As forças de segurança estão em último lugar entre 12 esferas da vida social, na opinião dos inquiridos, quanto à incidência da corrupção. Os clubes de futebol e os partidos políticos lideram o ranking.
Os clubes de futebol e os partidos políticos são as esferas da vida social nas quais há mais corrupção, na opinião dos inquiridos.
A mesma realidade sob o prisma de cinco grupos de pessoas: os participantes do Barómetro acreditam
que 6 em cada 10 políticos são corruptos - muito mais do que em outros grupos.
A perceção sobre a corrupção também tem cor política. Os participantes que se dizem de centro ou de direita acham, em média, que há maior percentagem de corruptos em todos os grupos sociais.
O PODER CORROMPE?
Diga se concorda ou não com as seguintes afirmações.
As suas respostas sugerem que, para si, o poder não corrompe necessariamente. Os inquiridos no
Barómetro () tendem a pensar o contrário.
As suas respostas alinham com os resultados do Barómetro (). As pessoas tendem a concordar com as duas afirmações. Ou seja, acham que o poder corrompe.
As suas respostas sugerem uma posição menos definida quanto à tendência do poder em corromper os cidadãos. Já os resultados do Barómetro () mostram que as pessoas tendem a concordar com as duas afirmações. Ou seja, acham que o poder corrompe.
Os resultados do Barómetro () mostram que as pessoas tendem a concordar com as duas afirmações. Ou seja, acham que o poder corrompe.
Talvez por isso, a integridade de um político seja um elemento central na hora de votar. Num conjunto de sete atributos avaliados pelo Barómetro, a integridade tem, para os inquiridos, o segundo maior peso na escolha de um candidato.
O COMBATE À CORRUPÇÃO É EFICAZ?
Qual é a sua opinião?
A imagem que emerge do Barómetro não é nada favorável quanto à forma como a sociedade lida com a corrupção em Portugal. A maioria acha que o combate não é nada eficaz.
Um em cada quatro inquiridos (26%) acredita que a responsabilidade pela ineficácia do combate à corrupção é dos próprios cidadãos.
Mas quando se agregam as opiniões em grupos mais abrangentes, é o poder político que salta à frente: 40% dos inquiridos acham que ali é que está o problema.
Para três em cada quatro inquiridos, os principais inimigos do combate à corrupção estão relacionados com procedimentos da justiça, a começar pelos megaprocessos, complexos e intermináveis, mas também as mil e uma possibilidades de recurso e a dificuldade em obter meios de prova.
ESTÁ SATISFEITO COM O TRATAMENTO DA CORRUPÇÃO PELOS MEDIA?
Dois em cada cinco inquiridos disseram que estão satisfeitos com a forma como os media tratam a corrupção. São mais do que os insatisfeitos.
Um em cada cinco inquiridos também disse que não estava nem satisfeito, nem insatisfeito com a forma como os media tratam a corrupção. No geral, há mais pessoas satisfeitas do que insatisfeitas.
A sua opinião é igual à de um terço dos inquiridos. Mas há mais pessoas satisfeitas do que insatisfeitas com a forma como os media tratam a corrupção.
Há mais pessoas satisfeitas do que insatisfeitas com a forma como os media tratam a corrupção. Além disso, um em cada cinco inquiridos declara-se neutro nessa questão.
A idade aqui conta: os jovens estão menos satisfeitos do que outros grupos etários.
Satisfeitos ou insatisfeitos, a maioria acha que a comunicação social, quando trata da corrupção, às vezes peca, e por diferentes razões. A principal delas é a preocupação com a audiência e os lucros.
Esta opinião é importante porque, para os inquiridos, a comunicação social é a principal fonte de informação sobre a corrupção.
1101 pessoas ouvidas
Principais mensagens
Há uma forte condenação social da corrupção. No entanto, nem todos a veem da mesma forma.
A maioria das pessoas tem uma definição legalista do fenómeno. Mas há alguma tolerância a alguns tipos de corrupção.
O futebol e a política são vistos como os setores da vida social mais expostos à corrupção.
O combate ao problema é maioritariamente entendido como ineficaz, sobretudo por responsabilidade do poder político.
O poder corrompe, segundo a maioria das pessoas que participou no Barómetro.
Há mais pessoas satisfeitas do que insatisfeitas com a forma como a comunicação social trata a corrupção.
BARÓMETRO FFMS
Esta infografia baseia-se num inquérito e estudo executados pela DOMP, S.A. e por Luís de Sousa (ICS-UL) e Susana Coroado (Dublin City University), com a colaboração de Felippe Clemente (ICS-UL) para a Fundação Francisco Manuel dos Santos. O relatório completo do estudo encontra-se disponível aqui.
Infografia e desenvolvimento de Francisco Lopes, José Alves e Ricardo Garcia