Sobre o Fundador

Sobre o Fundador

Declaração de Alexandre Soares dos Santos

O que significa a fundação para a minha família e para mim em particular?

É a forma que foi escolhida para estudar os grandes problemas nacionais e levá-los ao conhecimento da sociedade civil, visando o debate e estimulando a discussão entre os seus membros.

Pretendemos uma sociedade aberta à cultura, consciente dos seus problemas e das soluções mais adequadas à sua resolução. Uma sociedade activa que, sem medo e em plena liberdade, expõe os seus pensamentos, a sua crítica e os seus anseios.

Uma sociedade que deverá ser consciente dos seus direitos, mas também dos seus deveres e que assume as suas responsabilidades. Que obriga os seus deputados e o seu governo a ouvi-la e a decidir de acordo com o que ela quer.

Com a fundação que criou, a minha família pretende também dar à sociedade e ao nosso país o muito que ele nos deu. Que os seus representantes sejam dignos das suas intenções!

Alexandre Soares dos Santos

O Patrono Francisco Manuel dos Santos


patrono

Francisco Manuel dos Santos nasceu em 1876, em Safurdão, na Beira Alta. Os seus descendentes directos são os accionistas da Sociedade Francisco Manuel dos Santos. Esta sociedade familiar controla actualmente cerca de 56 % da Jerónimo Martins SGPS.

O patrono da FFMS é avô do actual presidente da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos. De origem humilde, Francisco Manuel dos Santos cedo se mudou para o Porto, onde teve uma actividade comercial importante.

Mais tarde, em 1921, transferiu para Lisboa a parte mais significativa dos seus negócios. Em conjunto com os seus parceiros dos Grandes Armazéns Reunidos, adquiriu a "mercearia fina" Jerónimo Martins, sita no Chiado, em Lisboa.

Durante as décadas seguintes, Francisco Manuel dos Santos desenvolve e diversifica os seus interesses, não só criando uma cadeia de lojas de retalho, como também iniciando actividades na área da produção industrial. Morre em 1953.

Os legatários Soares dos Santos asseguram a continuidade da empresa e reorganizam o grupo.

A Família Francisco Manuel dos Santos


Em 1792, um imigrante galego abre no centro de Lisboa uma modesta casa de comércio de víveres. A boa reputação que depressa alcança garante-lhe parceiros e clientes de renome e o selo de fornecedor da Casa Real. Mais de um século volvido, os descendentes e colaboradores de Jerónimo Martins manter-se-ão à frente dos destinos da mercearia do Chiado; a decisão de venda resulta das atribulações financeiras exacerbadas pela primeira guerra mundial, provavelmente conjugadas com uma crise de sucessão. Francisco Manuel dos Santos é um dos três sócios que adquirem, em 1921, a Jerónimo Martins, inaugurando assim a dinastia que ainda hoje controla a empresa. O papel fundamental que desempenha nos anais do grupo explica o tributo que lhe é prestado no acto da criação da fundação homónima.

Francisco Manuel dos Santos partilha das origens humildes e nortenhas de Jerónimo Martins. Nasce em 1876 no Safurdão, a 23 km da Guarda. A frequência da escola primária obrigava-o a percorrer diariamente, a pé, metade da distância até à capital de distrito. Dotado de noções limitadas de leitura, escrita e aritmética, Francisco Manuel dos Santos é, porém forçado, pelo deteriorar das economias paternas, a abandonar a aldeia natal; tinha 10 anos, e não mais gozaria de uma educação formal.

Respondendo ao apelo de um merceeiro em busca de um rapaz que soubesse ler, escrever e fazer contas, Francisco Manuel dos Santos é enviado para o Porto. A cidade atravessava então o seu período de crescimento mais pronunciado da época moderna, e o jovem não deixaria de aproveitar as oportunidades que tal facto acarretava. Abandonado o posto de ajudante de mercearia, estabelece-se por conta própria no mesmo ramo de negócio. Bem-sucedido, faz fortuna e desenvolve uma rede de úteis contactos profissionais, tendo travado conhecimento com Elísio Pereira do Vale.

Juntos criam, em 1920, e com Domingos Gomes, os Grandes Armazéns Reunidos, com sede na Invicta. No ano seguinte, a sociedade responde à colocação no mercado da Jerónimo Martins; uma porção substancial do lucro da antiga «tenda» provinha já na altura da sua actividade de armazenista. A reestruturação dos designados Estabelecimentos Jerónimo Martins & Filho é assegurada por um empréstimo do Banco Borges & Irmão, que aceita o «trabalho e honradez» de Francisco Manuel dos Santos como garantia (tendo Domingos Gomes abdicado de quaisquer encargos administrativos, estes eram partilhados apenas com Elísio Pereira do Vale). Eliminando a transacção e armazenagem de produtos não alimentares – uma deliberação curiosa, à luz das fracassadas tentativas posteriores de penetração neste domínio – e multiplicando as lojas de retalho, a estratégia adoptada propicia uma recuperação lenta mas constante.

O Grupo Jerónimo Martins


O nome de Jerónimo Martins tinha uma longa história na praça alfacinha aquando da transacção de 1921. De «tenda», fundada em 1792 por um galego no centro da cidade, fora promovida a mercearia e transferida da Rua Ivens para a Rua Garrett – uma das artérias mais elegantes da capital. Comercializava requintadas marcas nacionais e estrangeiras, incluindo o azeite produzido pelo historiador e político Alexandre Herculano no seu exílio de Vale de Lobos. Com uma clientela de estrato social elevado, recebera de D. Fernando, regente e viúvo de D. Maria II, o selo de fornecedor da Casa Real (distinção óbvia na fachada do estabelecimento, destruída pelo incêndio do Chiado).

Até à morte do fundador, a casa prosperou solidamente; os primeiros apuros financeiros, no final do século XIX, ter-se-iam ficado a dever às indulgências dos herdeiros e, concretamente, às dívidas de jogo acumuladas por um dos filhos de Jerónimo Martins. O leilão de uma parte significativa das posses familiares e a delineação e execução de um esquema de pagamento progressivo aos credores, suportado pela boa reputação de que gozava João António Martins, permitiram a ultrapassagem da crise (tendo este falecido sem deixar descendentes, os antigos empregados mantêm a designação original do estabelecimento). O mesmo não viria a suceder em 1918, altura em que as nefastas consequências económicas da guerra parecem ter-se somado à inexistência de sucessores empenhados na gestão do negócio.

Decorridos três anos, este passa para as mãos de Francisco Manuel dos Santos e dos seus parceiros nos nortenhos Grandes Armazéns Reunidos: Elísio Pereira do Vale e Domingos Gomes. Com o apoio do Banco Borges & Irmão, é criada uma cadeia de lojas de retalho, dinamizada a armazenagem e suprimidas as actividades relacionadas com produtos não alimentares. Calmamente, os Estabelecimentos Jerónimo Martins & Filho recobram a segurança financeira, tornando-se ademais a primeira empresa do país a pagar o 13.º mês de salário aos seus operários, para os quais é construída uma cantina na sede do Chiado.

Em meados da década de 1930, dá-se a expansão para a indústria, traduzida no investimento numa fábrica de margarina, produto escasso e necessário. A Fima (Fábrica Imperial de Margarinas, Lda.) é constituída em sociedade com Silva Torrado, embora a laboração em Sacavém só tenha sido inaugurada em 1944, uma vez que o conflito mundial impediu a chegada do equipamento; arde totalmente pouco depois. A sobrevivência da firma dever-se-á à Unilever, cujas marcas a Jerónimo Martins vendia desde 1926, forçada pela política do condicionamento industrial do Estado Novo a acoplar-se a um agente nativo para se estabelecer em Portugal. Tendo tomado a participação de Silva Torrado, 60 % da partilha da Fima cabe à Jerónimo Martins; o balanço é reposto pela formação da Lever, na qual a Unilever detém uma participação equivalente, e que trata em produtos de limpeza e higiene pessoal. No decénio de 1970, a Olá (gelados) e a Iglo (produtos congelados) serão também incluídas na joint-venture.

A morte de Francisco Manuel dos Santos, em 1953, promove a organização dos legatários dos Santos numa sociedade civil, ao passo que os Vales se instituem numa sociedade imobiliária. Até ao 25 de Abril de 1974, o crescimento da Jerónimo Martins é garantido pela opção industrial, que assinala uma segunda etapa (após a fase inaugural de retalhista e armazenista – em que foi o maior armazenista português de produtos alimentares) na sua extensa crónica. Orienta-se então predominantemente para as colónias, sobretudo para Luanda, mau grado o recuo gradual, a partir de 1970, da aposta angolana, explicado pelos inconvenientes dos pagamentos atrasados. Apesar de contactados os movimentos revolucionários e as autoridades portuguesas nas vésperas da proclamação da independência, os seus bens africanos são todavia ocupados e desmantelados.

Em 1967, por morte de seu pai, Alexandre Soares dos Santos assume a responsabilidade pelo negócio da família, no qual a Fima-Lever – resultante da parceria estabelecida em 1949 entre a Jerónimo Martins e a Unilever - tinha então um peso decisivo. Considerando que o futuro passaria obrigatoriamente pela distribuição moderna, aposta na expansão neste sector. A companhia de supermercados Pingo Doce começa a operar em 1980, dois anos depois da sua constituição. Em 1985, estabelece-se uma parceria estratégica com o grupo belga Delhaize “Le Lion”, que entra, assim, na estrutura acionista do Pingo Doce, e dois anos depois, com a aquisição das 15 lojas Pão de Açúcar, a cadeia consolida fortemente a sua posição no retalho alimentar em Portugal.

Em 1988, Jerónimo Martins torna-se o maior acionista do Recheio, que tinha então quatro lojas, entrando, por esta via, no mercado grossista. Nesse mesmo ano, o grande incêndio do Chiado destrói a histórica loja da Rua Garrett e os escritórios centrais de Jerónimo Martins. Em 1989, a FIMA adquire a Victor Guedes, empresa produtora do azeite Gallo, e Jerónimo Martins compra os restantes 40% da cadeia Recheio. Também nesse ano, a Sociedade Francisco Manuel dos Santos adquire as participações dos restantes accionistas dos Estabelecimentos Jerónimo Martins & Filho, e, para financiar este grande investimento, faz admitir a empresa à cotação na Bolsa de Valores de Lisboa.

Em 1990, ano da constituição da Hussel, cadeia especializada em chocolates e guloseimas, a compra do Arminho, um cash & carry de referência localizado em Braga, veio permitir ao Recheio dar um salto de dimensão e acelerar o crescimento. Em 1992, no ano em que celebra dois séculos de história, a Jerónimo Martins assina o contrato de joint venture com a Ahold, que substituiu a Delhaize como parceiro estratégico no Pingo Doce, e que se mantém até hoje. A década de 90 foi sobretudo marcada pelo início da internacionalização da Jerónimo Martins. Primeiro para a Polónia - onde, em 1995, se adquiriu uma cadeia de 48 cash & carries que operavam sob a marca Eurocash – e depois para o Brasil, com a compra dos Supermercados Sé. A Jerónimo Martins viria, em 2002, a abandonar o Brasil, dedicando-se, no plano internacional, a construir a liderança de mercado da Biedronka, a cadeia de lojas discount que começara a ser desenvolvida em 1995.

Em 2005, a Bestfoods Portugal é integrada na FIMA e, dois anos depois, fecha-se o acordo para a compra da Plus em Portugal e na Polónia, onde se abre a loja Biedronka número 1000. Na sequência daquela aquisição, logo no ano a seguir, o Pingo Doce opera um rebranding e, em 2009, incorpora na sua insígnia os hipermercados Feira Nova. Em 2011, a Colômbia é anunciada como o novo destino internacional de investimento da Jerónimo Martins e, no dia 13 de Março de 2013, abriram-se na região do Eixo Cafeteiro as primeiras lojas e o primeiro centro de distribuição no país.

Ao longo da sua história, a ambição e a capacidade para resistir e superar as dificuldades tornaram-se valores intrínsecos ao Grupo. Em 2009, é criada pela Sociedade Francisco Manuel dos Santos uma Fundação com o mesmo nome, dedicada a missão de fortalecer a sociedade civil em Portugal pela promoção do conhecimento dos problemas, desafios e oportunidades que se colocam ao país e aos portugueses. Em 2015, com a obtenção da concessão do Oceanário de Lisboa, a Sociedade reforça o seu pilar de responsabilidade ambiental, preparando-se para lançar em 2016 uma nova Fundação dedicada à protecção dos Oceanos.

Crescimento, sustentabilidade e cidadania continuarão a ser, no futuro, as grandes linhas orientadoras do investimento e da acção.

Partilhar