«Tendemos a olhar para a desmaterialização das coisas na Economia. O que estamos a viver na Ucrânia e no estreito de Ormuz é um lembrete chocante e desestabilizador de que a matéria física importa». Quem o diz é Ed Conway, autor do best-seller premiado «Mundo material: uma história substâncial do nosso passado e futuro».
Numa entrevista sobre a importância do mundo físico e sobre o futuro da energia na Europa, o jornalista relembra que, apesar de todos esforços para garantir a sua soberania, os europeus ainda estão dependentes da Rússia e das suas matérias, de que é exemplo o gás natural liquefeito.
«É muito difícil libertarmo-nos rapidamente destas dependências. E quando estávamos a tentar fazê-lo, mudámo-las mais para a América e para o Qatar», diz, esclarecendo que, além do gás e do petróleo bruto, há muitas outras matérias que provêm de outros mercados.
A Europa também precisa de fornecedores externos para assegurar as suas necessidades de hélio - crucial para o fabrico de equipamentos de ressonância magnética e de semicondutores utilizados pelas máquinas de IA - e de enxofre, essencial para refinar o cobre e, consequentemente, para produzir as infraestruturas necessárias à transição energética.
As quebras na produções e as situações de escassez que resultam do estado da geopolítica atual estão a obrigar o continente europeu a repensar o seu futuro.
«Espero que, a partir de todos estes acontecimentos, tenhamos uma conversa mais realista sobre como o mundo funciona e como o podemos tornar num lugar melhor», salienta Ed Conway.
Conferências que reúnem os maiores especialistas nacionais e internacionais sobre temas que vão da ética à política, das mulheres aos jovens, da segurança social ao envelhecimento, da economia à ciência e ao universo.