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Imagem de jovens universitários durante a queima das fitas do Porto. Créditos: shutterstock

Ensino superior e emprego jovem em Portugal: tendências, resultados e comparações internacionais

O nível de escolaridade dos jovens portugueses disparou: os diplomados passaram de 11% em 1998 para 43% em 2024. Apesar de os dados aproximarem o país da média europeia, os custos suportados pelas famílias e o modelo de financiamento continuam a divergir. Este policy paper analisa a transição do ensino secundário para o superior em Portugal, o seu impacto no emprego e nos salários. Discute modelos de financiamento e deixa recomendações de políticas públicas para reforçar a equidade no acesso e a sustentabilidade do sistema de ensino.
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Imagem ilustrada de jovens a mexerem em computadores. Texto. "Ensino superior e empregro em Portugal".

Nos últimos 25 anos, a percentagem de jovens adultos diplomados (cujas idades estão compreendidas entre os 25 e os 34 anos) quadruplicou: passou de 11% no final da década de 1990, para 43%, em 2024. Este aumento aproximou o país da média europeia, que se fixa nos 44%.

Apesar de se ter vindo a fechar uma das maiores disparidades educativas da União Europeia, Portugal continua atrás de vizinhos importantes, tais como Espanha e França - onde 53% dos jovens adultos têm um diploma de ensino superior - e a Irlanda, cuja percentagem chega aos 65%.

No que toca ao financiamento, Portugal é um dos países que fica aquém. Por um lado, a despesas associadas ao funcionamento das instituições de ensino superior, em termos médios por estudante, estão 35% abaixo da média EU. Por outro, as famílias portuguesas suportam 30% das despesas inerentes, face a 13% na EU.

Será que as vias de ensino se alinham com as aspirações dos alunos e com as transições para o ensino superior? Como é que Portugal se compara com outros países europeus? Quão grandes são as diferenças salariais dentro de cada nível de escolaridade?

O novo policy paper da Fundação, da autoria de Luís Catela Nunes (coordenador), Pedro Reis e Teresa Thomas, investigadores no Centro de Economia e Educação da Nova SBE analisa as transições do ensino secundário para o superior e os seus efeitos no emprego e nos salários. O estudo compara ainda custos e benefícios a nível internacional, discute modelos de financiamento e apresenta recomendações de políticas públicas para reforçar a equidade no acesso e a sustentabilidade do sistema.

Das conclusões do estudo, podem destacar-se as seguintes:

  • As licenciaturas continuam a ser a qualificação mais comum (58%), sendo os mestrados a segunda maior parcela (33%) e os doutoramentos mantêm-se estáveis, nos 3%.
  • Entre os alunos dos cursos científico-humanísticos do ensino secundário, 76% prossegue para o ensino superior. Já no ensino profissional, apenas 22% segue para a universidade.
  • Quem conclui o mestrado alcança taxas de emprego de 88% no prazo de um a dois anos e de 93% ao fim de cinco anos, em linha com a média da União Europeia. Os licenciados registam uma taxa de emprego inferior (75%), mas ao fim de 5 anos, a taxa converge para o mesmo patamar.
  • Os recém-diplomados do ensino secundário profissional têm uma taxa de emprego inicial mais alta do que a dos diplomados dos cursos científico-humanísticos (72% vs 56%).
  • Por comparação com os trabalhadores que concluíram apenas o ensino secundário, os licenciados ganham, em média, mais 28% e os mestres mais 49%.
  • Apesar de os custos em termos absolutos serem baixos, os custos diretos em percentagem do PIB per capita são elevados em Portugal, por comparação com a maioria dos países europeus.

Os autores deixam várias recomendações para responder aos principais desafios e para alinhar o ensino superior com necessidades futuras:

  • Adequação do financiamento público aos benefícios individuais e sociais do ensino superior.
  • Financiamento suficiente para que as bolsas de estudo respondam às restrições de liquidez e aos custos iniciais dos estudantes de baixos rendimentos.
  • Garantia de que eventuais revisões das propinas são acompanhadas de apoios financeiros dirigidos aos estudantes mais vulneráveis, prevenindo riscos de exclusão.
  • Avaliação da viabilidade de um sistema de empréstimos indexados ao rendimento.
  • Estratégias académicas mais flexíveis e prospetivas, alinhadas com as necessidades futuras de qualificação.
  • A criação de um sistema estatístico nacional que integre dados da educação e do mercado de trabalho.
  • O reforço da orientação profissional baseada em dados desde o início do percurso académico.
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Imagem ilustrada de jovens a mexerem em computadores. Texto. "Ensino superior e empregro em Portugal".
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