Ensino superior e emprego jovem em Portugal
Portugal registou um progresso notável em matéria de qualificações nas últimas décadas. Como mostra o policy paper «Ensino Superior e Emprego Jovem em Portugal: Tendências, resultados e comparações internacionais», a percentagem de jovens entre os 25 e os 34 anos com ensino superior quadruplicou no último quarto de século, atingindo 43% em 2024 e convergindo para a média da União Europeia.
Ainda assim, este valor permanece abaixo do observado em países vizinhos como Espanha e França (53%) e distante do líder europeu, a Irlanda (65%).
Os resultados confirmam que o ensino superior continua a ser um fator determinante de sucesso no mercado de trabalho. As taxas de emprego dos diplomados são elevadas e aumentam rapidamente com o tempo: cerca de 75% dos licenciados e 88% dos mestres estão empregados um a dois anos após a conclusão do curso, valores que sobem para 93% ao fim de cinco anos.
Em termos salariais, as diferenças face aos trabalhadores com apenas o ensino secundário são expressivas desde o início da carreira: entre os 23 e os 26 anos, os licenciados auferem, em média, mais 28% e os mestres mais 49%. Além disso, os diplomados do ensino superior beneficiam de trajetórias salariais significativamente mais favoráveis ao longo da vida ativa.
Ainda assim, o estudo sublinha que os retornos médios ocultam diferenças relevantes. Existem disparidades significativas entre áreas de estudo e uma elevada dispersão salarial, mesmo dentro de cada área, o que reforça a importância de considerar esta heterogeneidade nas escolhas educativas.
«Numa perspetiva financeira individual, o investimento no ensino superior em Portugal gera retornos elevados: por cada euro que um estudante investe no ensino superior, considerando custos diretos e rendimentos sacrificados, obtém, em média, mais 13,7 euros em ganhos salariais ao longo da vida, um valor 68% superior à média da UE, que é de 8,2 euros.»
A análise internacional revela que Portugal apresenta um dos rácios benefício‑custo mais elevados a nível europeu. Contudo, quando os custos são medidos em percentagem do rendimento per capita, os custos diretos de estudar no ensino superior estão entre os mais elevados da União Europeia, levantando questões importantes de acessibilidade. Neste contexto, a promoção da equidade assume um papel central. As bolsas de estudo são essenciais para garantir que o acesso ao ensino superior não depende das restrições financeiras das famílias.
O policy paper destaca igualmente a importância de melhorar a eficiência das decisões educativas. Uma prioridade passa pela disponibilização de informação mais granular sobre empregabilidade, salários e percursos profissionais ao nível dos diferentes cursos. Esta informação é crucial para apoiar decisões mais informadas por parte de estudantes, famílias, escolas e decisores políticos, contribuindo para uma melhor adequação entre escolhas educativas e necessidades do mercado de trabalho.
Outro desafio relevante prende-se com a articulação entre o ensino profissional e o ensino superior. Torna-se essencial promover uma oferta diversificada de cursos superiores, adaptada a diferentes perfis de estudantes, com vias de acesso mais flexíveis e que favoreça a aprendizagem ao longo da vida.
«O modelo de financiamento das instituições de ensino superior em Portugal, que combina fundos públicos com propinas, está sob pressão. As despesas de funcionamento destas instituições, em termos médios por estudante, estão 35% abaixo da média da UE. Do lado do financiamento, as famílias suportam 30% dessas despesas, face a 13% na UE.»
O financiamento do ensino superior é um tema central. Portugal apresenta níveis de investimento nas instituições de ensino superior inferiores à média europeia, apesar de uma elevada contribuição das famílias. Reformas que assegurem financiamento adequado, privilegiem a qualidade do ensino e garantam um acesso equitativo são, por isso, fundamentais.
Em síntese, o ensino superior em Portugal representa uma oportunidade clara de progresso individual e coletivo, exigindo políticas públicas que promovam simultaneamente equidade, eficiência, sustentabilidade e qualidade.