Não, a falta de comunicação prévia não justifica, por si só, a dispersão de uma reunião ou manifestação que decorra pacificamente.
A comunicação prévia permite às autoridades adotar as medidas necessárias para garantir a segurança, ordenar o trânsito e compatibilizar a manifestação com outros direitos. A sua falta não equivale a falta de autorização, porque o exercício dos direitos de reunião e manifestação não depende de autorização prévia.
Uma manifestação já iniciada pode, porém, ser interrompida quando ocorram os fundamentos previstos na lei, designadamente a prática de atos contrários à lei ou uma perturbação grave e efetiva da ordem e tranquilidade públicas ou do livre exercício dos direitos de outras pessoas. Qualquer intervenção policial deve respeitar os princípios da necessidade e da proporcionalidade.
Os promotores que incumpram o dever legal de comunicação prévia podem incorrer em responsabilidade criminal nos termos previstos na lei, sem que isso determine automaticamente a dispersão dos restantes participantes.
O conteúdo desta página tem um fim meramente informativo. A Fundação Francisco Manuel dos Santos não presta apoio jurídico especializado. Para esse efeito deverá consultar profissionais na área jurídica.
Constituição da República Portuguesa, artigos 45.º e 272.º,
Decreto-Lei n.º 406/74, de 29 de agosto, artigos 2.º, 5.º e 15.º, n.º 3.