A
A
Imagem da bandeira Ucrâniana sob um céu com núvens de tempestade

A Guerra da Ucrânia

A «Operação Militar Especial» de Putin contra a Ucrânia devia durar três dias, mas arrasta-se há 10 longos meses. Para o especialista em Relações Internacionais Carlos Gaspar é o destino da Europa que está em jogo. A Guerra da Ucrânia pode ser a primeira etapa de uma guerra geral.
2 min

A «Operação Militar Especial» de Putin contra a Ucrânia devia durar três dias, o tempo necessário para derrubar Zelensky e instalar em Kyiv um regime fantoche. Dez meses depois, o Presidente ucraniano continua no poder, as forças russas estão entricheiradas no Donbas e os dois lados estão preparados para continuar as hostilidades.

Spinoza ensinou que para fazer a guerra basta um soberano, mas são precisos dois para fazer a paz. Enquanto ambas as partes estiverem convencidas de que podem ganhar, a guerra vai continuar.

 

A Europa e as democracias não podem deixar que a Ucrânia possa ser destruída pela Rússia de Putin. É o destino da Europa que está em jogo.

A Guerra da Ucrânia, a primeira guerra entre Estados na Europa desde o fim da II Guerra Mundial, tornou-se um conflito decisivo. A fronteira entre a Ucrânia e a Rússia passou a ser a fronteira entre a Europa e a Rússia, entre a comunidade euro-atlântica e o bloco euro-asiático, entre a aliança das democracias e o eixo das autocracias.

A Europa e as democracias não podem deixar que a Ucrânia possa ser destruída pela Rússia de Putin. É o destino da Europa que está em jogo.

Nenhuma força externa tem poder para impor a paz. Os Estados Unidos podem interromper o fornecimento de armas às forças ucranianas, a China pode cessar a sua cobertura diplomática à autocracia russa, mas não podem garantir o fim da guerra. Para a Ucrânia, a resistência é penhor da sua sobrevivência nacional, para Putin, a derrota é o fim do seu regime.

Os diplomatas garantem que todas as guerras terminam à mesa das negociações, mas a Guerra da Ucrânia pode ser a primeira etapa de uma guerra geral.