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Ricardo Soares de Oliveira: Corrupção internacional não é assim tão simples

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A corrupção é muitas vezes apresentada como um problema interno de cada país. Mas o professor de Ciência Política no CERI–Sciences Po Ricardo Soares de Oliveira desafia essa visão. «Ao longos dos anos, apercebemo-nos de que é melhor pensarmos na corrupção como uma questão de governação global e, em muitos aspetos, como uma característica da economia global».

Neste episódio de «Isto não é assim tão simples», o politólogo mostra como o sistema financeiro internacional cria condições para que práticas ilegais floresçam através de mecanismos legais. Afinal, a fronteira entre o que é legal e o que é ilegal pode ser mais ténue do que parece.

Tendo em conta esta realidade, o investigador em Oxford expõe também uma das principais preocupações atuais dos académicos: a forma como algumas regiões lideram (ou abandonam) a agenda anticorrupção.

Reconhecendo as origens ocidentais na luta contra a corrupção, o especialista não deixa de lamentar, ainda assim, a desunião, a incoerência e a hipocrisia dos países do ocidente nesta matéria. O Reino Unido e a Suíça, por exemplo, «procuraram defender os seus setores financeiros, em particular os ‘offshore’, recusando uma reforma financeira, especialmente ao nível da transparência».

O especialista nota, no entanto, que, nos últimos cinco anos, a hipocrisia tem dado lugar a muito ceticismo, não só face às leis da transparência, como também ao papel das ONG. «Estamos a viver um recuo na capacidade de influenciar decisores a adotar medidas reformistas», alerta o politólogo.

Num cenário de transformação constante, surgem novos desafios como as criptomoedas, que acrescentam camadas de risco e escapam aos mecanismos tradicionais de controlo - mecanismos que, segundo Soares de Oliveira, já não eram são eficazes em muitos casos.

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