Poderá o genoma humano ser programado, como se fosse um computador? Poderemos um dia travar o envelhecimento ou diagnosticar doenças, criar vacinas e medicamentos em tempo recorde? O geneticista e pioneiro da biologia sintética Andrew Hessel dá-nos as respostas.
«A biologia é que manda neste planeta. É a tecnologia mais antiga. Existe há milhares de milhões de anos. Mas é também a tecnologia mais misteriosa porque é a única que não foi construída por nós. Foi ela que nos construiu», diz.
Explicando a biologia sintética através da sua experiência na computação, o especialista traça paralelismos entre programar um computador e programar uma célula. Ambos possuem um código – a célula tem uma espécie de software que gere todos os seus processos metabólicos – e a sua manipulação permite programar o que ela faz.
Se hoje a sequenciação de ADN já é usada «em quase tudo» na medicina, o que Hessel propõe é muito mais do que conhecer as sequências de ADN de um vírus ou de bactérias. «Agora temos a capacidade de afetar o código», ou seja, temos a capacidade de alterar os micróbios da boca ou do intestino, por exemplo, para nos mantermos sãos. «Em vez de apenas diagnosticar uma doença, temos a oportunidade de a curar», remata.
A biologia sintética também promete ter respostas para retardar o envelhecimento. «Está a decorrer agora o primeiro ensaio clínico para reverter o envelhecimento em cães», adianta, reconhecendo que estes testes podem permitir avanços no futuro, mas que não travarão este processo natural.
Grandes temas, grandes nomes num novo programa dedicado a entrevistas com personalidades internacionais ligadas à política, economia e sociedade. Conduzidas pelo jornalista Pedro Pinto, estas conversas, com convidados especiais, querem simplificar e ajudar a desmistificar alguns dos temas mais importantes da atualidade. Todos os meses, no site da Fundação.