Realiza-se o referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Pela primeira vez, os portugueses são chamados às urnas para votar numa consulta deste género. Mais de duas décadas depois do processo de consolidação democrática, um dos mecanismos de democracia directa foi utilizado para decidir uma das questões mais controversas das sociedades contemporâneas. O referendo terminou com a vitória do «não» à pergunta «concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas, a pedido da mulher, desde que tenha lugar num estabelecimento de saúde legalmente autorizado». A consulta não foi vinculativa, dada a falta de participação (a taxa de abstenção foi de 68,1%). Mais de 6 milhões de portugueses abstiveram-se de votar. Na campanha pelo Sim estiveram, entre outros, Mário Soares, Odete Santos e Rui Rio. Defenderam o Não figuras como Marcelo Rebelo de Sousa, Aníbal Cavaco Silva e Maria do Rosário Carneiro. A 8 de novembro deste mesmo ano foi realizado o Referendo à Regionalização.