É entregue na Assembleia da República uma representação, assinada por Maria Eugénia Sequeira Varela Gomes e João Maria Paulo Varela Gomes, contra a concessão de pensões vitalícias, por «serviços excepcionais e relevantes prestados ao País» e por «mérito excepcional da contribuição dada à defesa da liberdade e democracia», a antigos dissidentes do PCP e a militares servidores do Estado Novo e do seu sistema repressivo. Maria Eugénia Varela Gomes e João Varela Gomes, conhecidos opositores à ditadura salazarista e simpatizantes de extrema-esquerda, alertavam ainda para a permanência no Supremo Tribunal Militar de juízes com décadas de carreira ao serviço do Estado Novo. Nas duas listas, publicadas pelos despachos conjuntos de 17 de outubro de 1987 e de 13 de janeiro de 1988, assinados pelo primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva e pelo ministro das Finanças Miguel Cadilhe, surgem, entre os 54 distinguidos, os nomes do tenente-coronel Américo Paulo Maltez Soares, do coronel Gilberto Santos e Castro, do capitão de mar e guerra António Rebordão de Brito, de Francisco Augusto Ferreira («Chico da CUF») e de Cândida Margarida Ventura. O caso mais conhecido é o de Américo Maltez Soares, que dirigira a polícia de choque entre os anos 60 e 1974, participando diretamente nas ações de violência repressiva contra o movimento estudantil e as oposições. Estavam ainda vivas muitas das vítimas das cargas que ordenou ou nas quais tomou parte. O assunto levantou pouca polémica, mas foi discutido no Parlamento a 11 de maio de 1988 pelo deputado João Amaral, não tendo seguimento. A 27 de março de 1992, o primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva autorizará outras pensões que acabarão envoltas em polémica, desta vez a dois inspetores da PIDE.