Portugal num mundo em mudança: caminhos para a prosperidade
A Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) foi criada com a missão de promover e aprofundar o conhecimento sobre a realidade portuguesa. Os Estudos da Fundação são um dos pilares desta missão, promovendo investigação científica independente e de elevado rigor que possa contribuir para um debate público mais informado e sustentado em evidência científica. Os temas a abordar nos Estudos da Fundação devem, por isso, responder às grandes questões nacionais.
Entre estas questões, destaca-se a necessidade de melhorar de forma sustentada as condições de vida no país. É inegável que Portugal registou avanços relevantes em várias áreas ao longo de meio século de democracia e quatro décadas de integração europeia. Contudo, é igualmente evidente que as condições de vida de grande parte dos portugueses continuam abaixo das que se verificam nos países europeus mais prósperos. Importa, por isso, ultrapassar os bloqueios estruturais que impedem o país de concretizar o seu potencial.
Esta é a questão que está no centro do novo Programa de Estudos da Fundação para 2027-2029, apresentado à comunidade científica no passado dia 7 de outubro e disponível no site da FFMS. Sob o lema «Portugal num mundo em mudança: caminhos para a prosperidade», o programa procura analisar de forma integrada os obstáculos à prosperidade do país e identificar medidas concretas para os superar, examinando quatro temas prioritários.
O primeiro centra-se na produtividade e no crescimento. A capacidade de criar riqueza é essencial para melhorar os rendimentos e sustentar os serviços públicos. Para Portugal, o desafio passa por superar os obstáculos ao crescimento das empresas e aproveitar as qualificações e a mudança tecnológica para criar mais valor e melhores empregos.
O segundo aborda a relação entre políticas sociais e prosperidade. A educação, a proteção social e os cuidados são essenciais para o bem-estar e criam as condições para que todas as pessoas possam desenvolver as suas capacidades e participar plenamente na sociedade. No contexto nacional, o envelhecimento e as mudanças tecnológicas no trabalho exigem adaptar estas respostas a novas necessidades, conciliando a qualidade dos serviços e a sustentabilidade do seu financiamento.
O terceiro prende-se com a vitalidade da democracia. A participação dos cidadãos e a eficácia das instituições democráticas são elementos fundamentais de uma sociedade próspera. Neste âmbito, a capacidade de sustentar políticas a longo prazo, de reforçar a confiança social e de qualificar as políticas públicas constituem desafios centrais para Portugal.
O quarto prende-se com a habitação e a mobilidade. Estas ocupam um lugar central nas nossas vidas, condicionando escolhas fundamentais, desde a educação e emprego à constituição de famílias. Melhorar o acesso à habitação e à mobilidade é, por isso, decisivo para o bem-estar das pessoas, para a redução das desigualdades e para o crescimento económico no nosso país.
Traçar os caminhos para a prosperidade de Portugal nestas quatro áreas requer necessariamente articular diferentes perspetivas científicas e metodológicas. Implica também ter em conta fatores críticos que condicionam a evolução do país, como a inteligência artificial, as alterações climáticas, as assimetrias territoriais, o envelhecimento, as migrações e o contexto europeu e internacional em que o país se insere. Não menos importante, significa concretizar a missão da Fundação, colocando a investigação científica ao serviço do país e de melhores condições de vida para todos.
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