Sustentabilidade na Moda: Inovação e Competitividade em Portugal
São quase 12 mil as empresas no país dedicadas ao fabrico de têxteis e vestuário, responsáveis por mais de 118 mil postos de trabalho e um volume de negócios superior a 8,2 mil milhões de euros, em 2024. Nesse ano, o setor representava cerca de 1,7% do PIB, 7,8% das exportações nacionais e 17,3% do emprego da indústria transformadora.
Num contexto marcado pela pressão crescente para tornar a moda mais sustentável, a indústria têxtil e do vestuário portuguesa está a afirmar-se como um polo de inovação, reforçando a competitividade de um setor estratégico para a economia nacional.
Neste estudo — da autoria de Céline Abecassis-Moedas, Laure Leglise e Mariana Pereira Silva —, são analisados sete casos de inovação desenvolvidos no país: algodão regenerativo (cultivado com práticas agrícolas que procuram melhorar a saúde do solo e promovem a biodiversidade), poliéster reciclado com tratamento repelente, fibras de ácido polilático (PLA), têxteis de liocel e tingimento com microrganismos e processos de acabamento com menor consumo de água.
As autoras concluem que a colaboração entre produtores e marcas é determinante para desenvolver materiais e processos mais sustentáveis e reforçar a competitividade internacional da indústria portuguesa.
Ao contrário da perceção de que são as marcas que lideram a inovação na moda, o estudo mostra que são, frequentemente, os produtores que impulsionam o desenvolvimento de novas soluções sustentáveis.
Os fornecedores portugueses estão a evoluir de fabricantes para parceiros estratégicos das marcas, oferecendo não apenas produtos, mas também serviços como rastreabilidade, reciclagem, desenvolvimento conjunto de materiais e apoio técnico.
A investigação demonstra também que a proximidade geográfica e as relações de longo prazo são decisivas para acelerar a inovação e transformar os processos produtivos, reduzindo consumos de água, energia e produtos químicos, bem como as emissões de carbono.
A concentração da indústria têxtil e do vestuário no Norte de Portugal é igualmente uma vantagem competitiva para as empresas do setor, num contexto marcado por cadeias globais complexas e fragmentadas.