Debate entre Durão Barroso e António Guterres, notícia do Diário de Notícias

Candidato a secretário geral da ONU e antigo presidente da Comissão criticaram duramente líderes políticos dos países da UE

António Guterres considerou ontem que a comunidade internacional está "a viver guerras que ninguém ganha e que convencer as grandes potências disso é "a questão decisiva para qualquer secretário-geral" da ONU.

"Conseguir fazer compreender a todos que este é um caminho em que todos perdem é uma missão essencial e não é fácil", sublinhou o antigo alto comissário para os Refugiados que é candidato a secretário geral das Nações Unidas, intervindo num debate com o ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso.

Com a guerra na Síria em pano de fundo, o ex-primeiro ministro do PSD criticou o Ocidente porque "não tem uma verdadeira política" para o Médio Oriente, cuja situação está "muito pior do que há 20 anos e agora agravada com a vontade da Rússia em mostrar força".

A solução de governo vigente em Portugal também foi abordada pelos dois antigos primeiros ministros naquela que foi a única matéria a revelar divergências entre ambos no debate organizado pela RTP1 em parceria com a Revista XXI da Fundação Francisco Manuel dos Santos).

Durão Barroso argumentou que na situação em que o país está foi um erro a fórmula governativa seguida e diria mesmo se fosse ao contrário se tivesse ganho o PS com minoria e houvesse um governo do PSD apoiado por forças antieuropeias como é o caso do BE e do PCP. "Temos um governo minoritário que não tem condições de sustentabilidade para o que é preciso para o país", insistiu o ex presidente da Comissão Europeia entre 2004 e 2014.

António Guterres realçou que "no acordo político feito entre o PS o BE e o PCP há um aspeto muito criativo no quadro europeu: os partidos que apoiam o executivo terem aceite que esse governo mantivesse uma posição de fidelidade quanto aos seus princípios europeus. Por outro lado observou, "acho mais importante num momento como este que inde pendentemente da fórmula governativa, todos procuremos que as coisas corram bem" e possam beneficiar os mais desfavorecidos".

Sobre a UE, tanto António Guterres como Durão Barroso criticaram as lideranças políticas nacionais que responsabilizam Bruxelas pelo que corre mal e reivindicam para si o que corre bem. "Sacrificaram a Europa aos interesses políticos nacionais de curto prazo", acusou o antigo alto-comissário (2005-2015), lamentando o "défice de solidariedade terrível entre os Estados europeus" que impede a UE como um todo de "encarar e resolver problemas" como o das migrações dos refugiados.

O ex-presidente da Comissão, dizendo que "é aceitável" o acordo dos 28 para evitar a saída do Reino Unido da UE, criticou duramente os líderes políticos nacionais que tomam as decisões em Bruxelas e não as assumem. Particularmente visada foi a França, por cometer o erro gravíssimo de não "mostrar que também conduz a Europa" e a apresenta como "um poder exterior" ao governo de Paris.

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