Revista XXI nº6, notícia do Jornal Expresso

“Novas e Velhas Fronteiras”, tema do sexto número da revista “XXI, Ter Opinião”

As crises europeias têm coisas estranhas, mas como tempo já lhes vamos apanhando o jeito. A primeira regra é que tudo demora tempo. A segunda é que cada líder europeu diz uma coisa diferente. A terceira é que os mercados acreditam pouco nos líderes europeus. A quarta é que Mario Draghi [presidente do Banco Central Europeu] aparece no fim da história para salvar quase tudo e todos."

O arranque do Expresso Curto desta terça feira escrito pelo Ricardo Costa parecia feito à medida para resumir o estado atual da União Europeia. Pelo menos no que diz respeito ao seu funcionamento técnico, que bem espelha as mentalidades dominantes. O continente a braços com amaior crise de refugiados de que alguém vivo se lembra, denota sintomas agudos de hiper-sensibilidade nas suasfronteiras. "inflamação" que promete reações de várias naturezas no seguimento do reerguer de muros e vedações a que temos vindo a assistir desde o verão passado.

É esse o tema deste sexto número da revista "XXI" na perspetiva das "Novas e Velhas Fronteiras", título chapéu que engloba abordagens políticas, científicas, filosóficas, históricas e jornalísticas. A alteração das linhas de demarcação territorial e a sua defesa levanta fantasmas ideológicos que podem tornar-se em breve reais. Aqui se analisam matérias como o congelamento de Schengen (Durão Barroso, Francisco Seixas da Costa), a supremacia do governo mundial (Nuno Severiano Teixeira), o caminho da Europa (Teresa de Sousa), as grandes alterações da percepção do mundo (JorgeCouto e Yanko Tsetkov), o mar como última fronteira (Tiago Pitta e Cunha), energia, terrorismo e migrações (António Costa e Silva, Filipe Pathé Duarte) e outras fronteiras como o digital (João Lopes) e a ciência (Jorge Calado). Um must desta revista é atenção do ponto de vista na percepção dos fenómenos. A ilustrá-la está um plano infográfico em que, à esquerda, vemos os diferentes limites da Europa entre os séculos IV e XXI. Diz a esclarecedora entrada: "A Europa tem revelado uma enorme instabilidade de fronteiras políticas, religiosas e mesmo civilizacionais, ao longo da sua história." Uma realidade óbvia para quem não tenha assistido a estas alterações, mas difícil de aceitar pelo que veem o chão que pisam mudar de bandeira. À direira, o mapa das maiores civilizações do mundo permite-nos avaliar como ponto de vista depende de onde parte o discurso. Estes textos de primeira água, a exigir tempo de qualidade pas os desfrutar.

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