Carlos Fiolhais A Ciência em Portugal
   

A Ciência em Portugal

de Carlos Fiolhais

O enquadramento do passado e uma reflexão sobre o futuro da Ciência no país. Ler mais

3,50 5€ na versão capa dura

À venda nas principais livrarias e cadeias
Pingo Doce, Continente e El Corte Inglês.

(4)
  voltar

A Ciência em Portugal

de Carlos Fiolhais

Neste ensaio passa-se em revista o estado da ciência em Portugal, nas suas múltiplas facetas: história, organização, produtividade, ligação à economia, ensino e divulgação das ciências. Usando vários gráficos e tabelas, mostra-se o grande progresso alcançado nas últimas décadas, sem esquecer de apontar o muito que falta fazer para que, na área decisiva da ciência e da tecnologia, Portugal seja um país mais competitivo à escala internacional.

Uma edição FFMS e Relógio d'Água.

Edição de 2011

voltar  

Carlos Fiolhais

 

Nascido em Lisboa em 1956, Carlos Fiolhais é Professor de Física na Universidade de Coimbra, depois de se ter doutorado em Frankfurt-am-Main, na Alemanha, em 1982. É autor de mais de 120 artigos científicos, um dos quais com mais de 7800 citações, de vários manuais de ensino da ciência (para todos os níveis de ensino) e de vários livros de divulgação da ciência, alguns traduzidos no estrangeiro. Fundou o Centro de Física Computacional e o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho. Tem colaborado com vários meios de comunicação social e museus de ciência. Recebeu vários prémios e distinções. É director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

 
A evolução da Ciência, em Portugal, nestas últimas décadas, foi favorável ou desfavorável à organização e à função das Universidades?

Pode sê-lo mais ou menos, mas tudo o que for feito a favor da ciência é a favor das universidades, pois que pelo menos desde Humboldt que Universidade e ciência estão intimamente ligados. Em Portugal, nas últimas décadas, a ciência cresceu muito. Cresceu dentro e fora das Universidades. Estas lucraram com o crescimento interno e externo. Contudo, na minha opinião, boa parte do que cresceu fora, em associações privadas sem fins lucrativos, podia ter crescido dentro ou mais próximo das Universidades. Temos actualmente um sistema um pouco sui generis, se olharmos para a Europa, em que as Universidades estão um pouco limitadas na definição e prosseguimento de políticas activas de investigação. Em que as Universidades se queixam e com razão que os investimentos nelas não têm sido da mesma dimensão que os investimentos na ciência. A questão tem de ser resolvida e não vejo solução que não passe pelo reforço do papel das universidades, pois é lá que está a maior parte dos cérebros e não vejo vantagens nem para os cientistas nem para a ciência que haja um seu desdobramento  permanente em diversas instâncias.

Em que medida o desenvolvimento das instituições científicas públicas tem sido feito em colaboração directa com as empresas privadas?

O investimento em ciência e tecnologia aqui como em qualquer parte do mundo mais desenvolvido é público e privado. Havia aqui uma grande distorção a favor do sector público, mas nos últimos tempos o sector privado cresceu e passou a ser maioritário, como acontece noutros lados que nos devem servir de exemplo. O processo é, porém, muito recente e não está suficientemente consolidado. Receio, aliás, que esse crescimento do investimento em ciência e tecnologia no sector privado esteja a ser em grande parte subsidiado pelo sector público.  Apesar de haver alguns sinais de algumas empresas que se apoiam em trabalho de investigação (o crescimento de algumas "startups" é notável!) muito ainda há a fazer nessa área. Numerosos empresários portugueses, de formação reduzida, são imediatistas e não vêem as vantagens a prazo do investimento na produção de saber. Não compreenderam que a economia moderna, por vezes chamada economia do conhecimento, depende criticamente da inovação conseguida em processos de base científico-tecnológica. A actual crise económica não ajuda nada, mas vamos esperar que ela seja ultrapassada, desejando que não tenha reflexos negativos no esforço nacional que tem sido feito em favor da ciência e da sua ligação à economia.

É verdade ou errado que um número excessivo de cientistas portugueses, após o período de formação e especialização, em Portugal ou no estrangeiro, acabam por ir trabalhar para outros países?

A ciência e a tecnologia são empreendimentos à escala planetária. Neste domínio, como acontece noutras, há oferta e procura num mercado global. Sempre houve cientistas portugueses que emigraram provisória ou definitivamente, isto é, a nossa diáspora é também científica. Hoje continua a haver cérebros que saem, o que é inevitável. Também há cérebros que entram,  isto é, a ciência que se faz está cada vez mais internacionalizada. Há que fazer tudo o que for possível para desincentivar a fuga de cérebros de cá e incentivar a fuga de cérebros para cá. As últimas notícias, ligadas à crise económica, não são animadoras. Muitos jovens queixam-se e com razão da falta de oportunidades. Está a ser preciso fomentar o emprego científico cá, fixar mais pessoas altamente qualificadas que são necessárias para o nosso desenvolvimento. As universidades têm um corpo docente envelhecido e é necessário que apostem nos jovens.  Oxalá o governo ajude.